ÁFRICA É RICA — MAS QUEM MANDA NA SUA RIQUEZA?

Não me venham dizer que África é pobre.

Eu recuso essa frase porque ela começa a discussão no lugar errado.

Um continente que possui cobalto, cobre, lítio, ouro, diamantes, petróleo, gás, urânio, manganês, bauxite, ferro, fosfatos, terras raras e tantas outras riquezas estratégicas não pode ser simplesmente definido como um continente pobre.

África não é pobre em recursos.

A verdadeira questão é outra.

Quem controla esses recursos?

Quem decide quando são extraídos?

Quem determina para onde são enviados?

Quem financia a exploração?

Quem possui as empresas?

Quem domina a transformação?

Quem controla a tecnologia?

Quem possui as patentes?

Quem estabelece os preços?

Quem domina a logística?

Quem forma os engenheiros?

Quem controla os laboratórios?

Quem produz as máquinas?

Quem transforma a matéria-prima num produto industrial?

E, finalmente, quem fica com a maior parte do valor produzido?

É aqui que começa a verdadeira discussão sobre a riqueza africana.

Porque uma coisa é possuir recursos.

Outra coisa completamente diferente é possuir o poder construído a partir desses recursos.

E o Congo é uma das demonstrações mais violentas desta contradição.

O CONGO: RIQUEZA NO SOLO, PODER FORA DA CADEIA

A República Democrática do Congo ocupa uma posição extraordinária na economia mineral mundial.

Quando falamos de cobalto, não estamos a falar de uma matéria-prima secundária ou sem importância estratégica.

Estamos a falar de um mineral fundamental para diversas tecnologias modernas e para cadeias industriais que atravessam setores como baterias, eletrónica, energia, indústria e outras aplicações estratégicas.

E durante anos a RDC consolidou-se como o principal produtor mundial.

Isto significa que uma parte importante da economia tecnológica contemporânea depende, direta ou indiretamente, daquilo que sai do solo congolês.

Parem um momento para pensar nisso.

Um país africano possui no seu território uma matéria-prima que interessa às maiores economias e indústrias do planeta.

Em teoria, isso deveria representar uma enorme vantagem estratégica.

Deveria significar capacidade de negociação.

Deveria significar industrialização.

Deveria significar formação.

Deveria significar investigação.

Deveria significar universidades especializadas.

Deveria significar laboratórios.

Deveria significar empresas africanas capazes de subir progressivamente na cadeia de valor.

Deveria significar infraestruturas construídas com uma visão de décadas.

Deveria significar poder.

Mas possuir o mineral não significa automaticamente possuir esse poder.

É precisamente aqui que está a contradição.

O solo pode ser africano e a cadeia de valor não ser controlada por africanos.

A mina pode estar em África e a tecnologia utilizada para gerar o maior valor económico pode estar noutro continente.

O trabalhador que participa na extração pode ser africano, enquanto as decisões financeiras mais importantes são tomadas a milhares de quilómetros.

O recurso pode atravessar uma fronteira com determinado valor e regressar ao mercado mundial, depois de transformado, incorporado em tecnologias muito mais complexas e muito mais valiosas.

Portanto, quando alguém me diz:

“Mas África tem muitos minerais.”

Eu respondo:

TER NÃO SIGNIFICA CONTROLAR.

E controlar é aquilo que verdadeiramente transforma riqueza natural em soberania.

O CASO DO URÂNIO NAS EXPORTAÇÕES DE COBALTO

Em 2026, esta discussão ganhou uma dimensão ainda mais séria.

Uma investigação científica publicada na revista Nature Communications analisou a presença e o comportamento do urânio associado à cadeia do cobalto da República Democrática do Congo.

Os investigadores combinaram dados geológicos, geoquímicos, informações sobre mineralização, registos comerciais ao nível das minas e um modelo destinado a estimar o comportamento do urânio durante o processamento.

A conclusão merece ser tratada com precisão.

O estudo não afirma que alguém mediu diretamente cada tonelada de urânio exportada ao longo de vinte e cinco anos.

Trata-se de uma estimativa científica construída através de modelos e diferentes conjuntos de dados.

E essa distinção é importante.

Mas aquilo que foi estimado continua a ser extremamente significativo.

Os investigadores estimaram que entre 2.000 e 5.000 toneladas de urânio natural poderão ter saído da República Democrática do Congo incorporadas em carregamentos de hidróxido de cobalto entre 2000 e 2024.

Estimaram ainda que cerca de 65% desse urânio incorporado nas exportações foi enviado para empresas de propriedade chinesa.

O estudo também estimou que entre 1.000 e 4.000 toneladas adicionais poderão ter acabado em rejeitos associados às operações no Copperbelt.

Isto abre várias questões ao mesmo tempo.

Questões ambientais.

Questões de saúde.

Questões regulatórias.

Questões de controlo.

Questões relacionadas com salvaguardas nucleares.

Questões de transparência.

Mas, para mim, abre sobretudo uma enorme questão política.

Como pode um continente possuir recursos tão estratégicos e continuar a não controlar plenamente aquilo que acontece ao longo de toda a cadeia?

Percebam bem aquilo que está em causa.

O solo é africano.

O mineral é africano.

O trabalhador é africano.

O território que suporta as consequências ambientais é africano.

As comunidades próximas das zonas de extração são africanas.

As estradas utilizadas para transportar os recursos atravessam território africano.

Os riscos associados à exploração ficam, em grande parte, no território africano.

Mas quando chegamos aos níveis superiores da cadeia — transformação avançada, tecnologia, investigação, financiamento, propriedade intelectual, produção industrial e poder geopolítico — África continua demasiadas vezes numa posição subordinada.

É essa estrutura que temos de questionar.

NÃO BASTA PERGUNTAR QUEM LEVOU

E aqui eu quero ser muito claro.

É muito fácil construir um discurso no qual toda a responsabilidade é colocada exclusivamente no estrangeiro.

É fácil dizer:

“A culpa é da China.”

“A culpa é dos Estados Unidos.”

“A culpa é da Europa.”

“A culpa é das multinacionais.”

E obviamente todas as potências defendem os seus interesses.

É exatamente isso que os Estados fazem.

A China não foi criada para defender os interesses africanos.

Os Estados Unidos não existem para defender os interesses africanos.

Os governos europeus não foram eleitos para defender prioritariamente os interesses africanos.

Cada potência procura proteger a sua economia, as suas empresas, a sua segurança, o seu acesso a matérias-primas, a sua capacidade industrial e a sua posição no sistema internacional.

Podemos criticar os métodos.

Podemos criticar relações desequilibradas.

Podemos criticar contratos.

Podemos criticar pressões.

Podemos criticar práticas empresariais.

Mas existe uma pergunta que nós, africanos, não podemos continuar a evitar:

QUEM ASSINA?

Quem autoriza?

Quem governa?

Quem concede licenças?

Quem negocia contratos?

Quem determina as condições fiscais?

Quem controla as fronteiras?

Quem fiscaliza as exportações?

Quem deveria defender o interesse público?

Quem deveria pensar não apenas nas receitas do próximo ano, mas na posição económica do país daqui a vinte, trinta ou cinquenta anos?

É aqui que entra a responsabilidade dos dirigentes africanos.

A RESPONSABILIDADE DOS NOSSOS PRÓPRIOS DIRIGENTES

Eu não absolvo os nossos dirigentes.

E não os absolvo precisamente porque acredito na soberania africana.

Se eu dissesse que todos os problemas de África são causados exclusivamente pelo estrangeiro, estaria implicitamente a dizer que os africanos não possuem responsabilidade política sobre aquilo que acontece nos seus próprios Estados.

Eu recuso essa visão.

Os africanos têm agência.

Os governos africanos tomam decisões.

Os parlamentos aprovam leis.

As administrações concedem autorizações.

Os Estados negociam.

Os dirigentes escolhem prioridades.

Portanto, também devem ser responsabilizados politicamente pelas consequências dessas escolhas.

Quando riquezas estratégicas atravessam fronteiras durante décadas enquanto a população não recebe proporcionalmente industrialização, formação, investigação, infraestrutura, conhecimento e capacidade tecnológica, temos o direito de perguntar onde falhou a política.

Não estou a dizer que todo contrato com uma empresa estrangeira seja uma traição.

Isso seria absurdo.

Nenhum país moderno vive completamente isolado.

Investimento estrangeiro pode ser útil.

Comércio internacional pode ser útil.

Transferência de tecnologia pode ser útil.

Parcerias podem ser úteis.

Capital estrangeiro pode financiar projetos que um país, naquele momento, não conseguiria financiar sozinho.

A questão não é existir parceria.

A questão é:

PARCERIA EM QUE CONDIÇÕES?

Com que contrapartidas?

Com que transferência de conhecimento?

Com que formação local?

Com que participação africana?

Com que fiscalização?

Com que conteúdo local?

Com que capacidade futura?

Com que benefícios para a população?

Com que estratégia nacional?

Uma parceria verdadeira deveria aumentar progressivamente a capacidade daquele que inicialmente possui menos tecnologia.

Se depois de vinte ou trinta anos a relação continua praticamente igual — um lado fornece matéria-prima e o outro fornece tecnologia, capital, transformação e conhecimento — então precisamos perguntar se aquilo realmente construiu soberania.

Porque desenvolvimento não pode significar simplesmente aumentar o volume daquilo que sai do porto.

Desenvolvimento deve significar aumentar aquilo que fica na sociedade.

Conhecimento.

Competências.

Infraestruturas.

Empresas.

Capital.

Tecnologia.

Instituições.

Universidades.

Laboratórios.

Indústria.

Poder de negociação.

O QUE A PRÓPRIA EXPERIÊNCIA CONGOLESA NOS MOSTRA

Há um elemento particularmente importante nesta história.

A República Democrática do Congo já tentou aumentar a transformação interna.

Em 2006, houve uma exigência para que o cobalto fosse processado e exportado como metal, numa tentativa de capturar maior valor dentro do próprio país.

Mas uma política escrita num papel não cria automaticamente uma indústria.

É necessário eletricidade.

É necessário capital.

É necessário equipamento.

É necessário conhecimento técnico.

É necessário infraestrutura.

É necessário fiscalização.

É necessário continuidade política.

É necessário planeamento.

E problemas de capacidade elétrica e de aplicação contribuíram para que grande parte do cobalto continuasse a ser exportada sob formas menos transformadas, sobretudo hidróxido de cobalto.

Isto é extremamente importante porque demonstra que soberania económica não se decreta apenas com discursos.

É construída.

Uma lei pode dizer:

“Vamos transformar aqui.”

Mas se não existe energia suficiente para alimentar a indústria, a transformação não acontece na escala desejada.

Se não existem engenheiros suficientes, há dependência externa.

Se não existem laboratórios, dependemos de análises feitas fora.

Se não existem bancos capazes de financiar projetos de grande dimensão, dependemos de capital estrangeiro.

Se não existe infraestrutura logística controlada e eficiente, continuamos dependentes de outros atores.

Portanto, a soberania mineral exige uma soberania muito mais ampla.

Soberania energética.

Soberania científica.

Soberania financeira.

Soberania educacional.

Soberania tecnológica.

Soberania institucional.

Tudo está ligado.

POR QUE RAZÃO FOI PRECISO CHEGAR A 2026?

Depois da publicação das revelações e das estimativas sobre o urânio, as autoridades congolesas abriram uma investigação e anunciaram medidas adicionais de controlo.

Isso é importante.

Investigar é necessário.

Verificar cientificamente é necessário.

Corrigir falhas é necessário.

O governo congolês também contestou aspetos da metodologia utilizada nas estimativas, e essa contestação deve ser mencionada porque rigor significa apresentar a existência do debate.

Mas permanece uma pergunta política legítima:

Por que razão foi preciso chegar a 2026?

Se o período estudado vai de 2000 a 2024, estamos a falar de mais de duas décadas.

Mais de vinte anos.

E isso obriga-nos a pensar para além deste caso específico.

Um Estado soberano não pode depender permanentemente de investigadores estrangeiros, jornalistas, organizações internacionais ou escândalos públicos para descobrir vulnerabilidades existentes nas suas próprias cadeias estratégicas.

Precisa de capacidade interna.

Precisa de laboratórios.

Precisa de inspetores.

Precisa de geólogos.

Precisa de químicos.

Precisa de engenheiros.

Precisa de sistemas de medição.

Precisa de bases de dados.

Precisa de instituições capazes de acompanhar cada etapa.

Da mina.

À fábrica.

Da fábrica.

À fronteira.

Da fronteira.

Ao comprador.

Isso é soberania.

Soberania não é apenas possuir uma bandeira.

Não é apenas possuir um hino.

Não é apenas ter um presidente.

Não é apenas ocupar um lugar nas Nações Unidas.

Soberania também é capacidade.

Capacidade de saber.

Capacidade de verificar.

Capacidade de negociar.

Capacidade de recusar.

Capacidade de produzir.

Capacidade de transformar.

Capacidade de controlar.

E KAGAME?

A minha crítica política a Paul Kagame também deve ser compreendida dentro desta reflexão maior.

E faço aqui uma distinção necessária.

Quando utilizo politicamente a palavra “traidor”, estou a apresentar um julgamento político sobre aquilo que considero serem os interesses africanos.

Não estou a apresentar uma acusação criminal.

Não estou a inventar um crime.

Estou a definir uma posição política.

A região dos Grandes Lagos é extremamente complexa.

Existem conflitos históricos.

Existem questões de segurança.

Existem grupos armados.

Existem memórias do genocídio de 1994.

Existem acusações cruzadas.

Existem interesses económicos.

Existem interesses territoriais.

Existem interesses políticos.

Existem intervenções estrangeiras.

Existem responsabilidades de vários atores.

Portanto, qualquer análise séria precisa reconhecer essa complexidade.

Mas reconhecer complexidade não significa abandonar a crítica.

Relatórios de especialistas das Nações Unidas têm apresentado acusações graves sobre o apoio do Ruanda ao M23 e sobre a presença e influência ruandesa no leste congolês.

O governo ruandês contesta acusações e apresenta argumentos ligados à sua segurança, particularmente à ameaça representada pelas FDLR e ao legado do genocídio.

Essa posição também existe e deve ser mencionada quando pretendemos distinguir factos estabelecidos, acusações documentadas e respostas dos envolvidos.

Mas a minha questão política vai para além de um único relatório.

A pergunta que faço é:

Que modelo de poder africano estamos a construir?

Um modelo em que cada Estado africano procura maximizar a sua posição individual aproveitando a fragilidade do vizinho?

Ou um modelo em que compreendemos que a fragmentação do continente reduz a força coletiva de todos?

Para mim, um dirigente africano que constrói poder nacional através das rivalidades internacionais, mas não contribui para uma soberania continental mais ampla, pode fortalecer o seu Estado em determinados aspetos e simultaneamente enfraquecer o projeto africano coletivo.

É dentro dessa visão que faço a minha crítica política a Kagame.

Não porque eu acredite que apenas uma pessoa explica todos os problemas da região.

Isso seria intelectualmente fraco.

Mas porque acredito que África precisa ultrapassar uma lógica em que Estados africanos competem entre si por vantagens pequenas enquanto potências externas competem pelo controlo das grandes cadeias estratégicas.

A FRONTEIRA E A CADEIA DE ABASTECIMENTO

Aqui está uma das maiores ironias da nossa época.

Nós discutimos fronteiras.

As grandes potências discutem cadeias de abastecimento.

Nós discutimos quem nasceu deste lado ou daquele lado de uma linha criada muitas vezes durante a colonização.

As grandes economias perguntam:

Onde está o cobalto?

Onde está o cobre?

Onde está o lítio?

Onde estão as terras raras?

Quem refina?

Quem fabrica componentes?

Quem possui capacidade industrial?

Onde estão os portos?

Onde estão os corredores ferroviários?

Quem controla a logística?

Que país pode interromper o fornecimento?

Que material é indispensável à defesa?

Que tecnologia depende desse mineral?

Quem possui reservas estratégicas?

É uma maneira completamente diferente de olhar para o mapa.

Para nós, o mapa é muitas vezes político.

Para as grandes potências, o mapa também é industrial.

É energético.

É tecnológico.

É logístico.

É financeiro.

É militar.

É geoeconómico.

E enquanto nós não aprendermos a olhar para África dessa forma estratégica, continuaremos a ver apenas minas onde outros veem sistemas de poder.

O COBALTO NÃO É APENAS UMA PEDRA

Quando uma pessoa olha para um pedaço de minério, pode ver apenas uma pedra.

Uma potência industrial olha para a mesma matéria e vê uma cadeia inteira.

Vê a mina.

Vê o processamento.

Vê a refinação.

Vê a química.

Vê os componentes.

Vê a bateria.

Vê o veículo.

Vê a rede energética.

Vê a eletrónica.

Vê a indústria.

Vê a defesa.

Vê o mercado.

Vê as patentes.

Vê empregos qualificados.

Vê exportações.

Vê impostos.

Vê influência internacional.

É exatamente por isso que África precisa deixar de pensar apenas em toneladas extraídas.

Precisamos pensar em cadeias de valor.

Uma tonelada de matéria-prima possui determinado valor.

Essa mesma matéria, depois de refinada, vale mais.

Depois de transformada num componente, pode valer ainda mais.

Depois de incorporada numa tecnologia, o valor aumenta novamente.

Depois de essa tecnologia estar protegida por propriedade intelectual, marcas, redes de distribuição e serviços, entramos noutra dimensão económica.

A questão não é apenas:

“Quanto minério exportámos?”

A pergunta deveria ser:

“Quanto valor africano acrescentámos antes de exportar?”

Essa mudança de pergunta muda tudo.

CHINA

É impossível discutir o cobalto contemporâneo sem falar da China.

A China tornou-se o principal produtor mundial de cobalto refinado e possui uma posição dominante em partes importantes da cadeia.

Isto não aconteceu por magia.

É resultado de estratégia.

Investimento.

Política industrial.

Financiamento.

Planeamento.

Infraestrutura.

Aquisição de ativos.

Capacidade de refinação.

Construção de cadeias industriais.

Durante anos, enquanto muitos países ocidentais deslocavam partes da produção para fora dos seus territórios e confiavam no funcionamento do comércio global, a China construiu uma posição extremamente importante em várias cadeias de minerais críticos.

Agora, quando essas matérias-primas se tornaram centrais para transição energética, tecnologia e segurança, o resto do mundo percebeu a dimensão estratégica dessa posição.

Mas eu volto à mesma questão.

É legítimo criticar a China quando os interesses africanos são prejudicados.

Mas seria ingenuidade esperar que Pequim colocasse espontaneamente os interesses africanos acima dos interesses chineses.

A China faz aquilo que uma potência faz.

Planeia.

Negocia.

Investe.

Procura acesso.

Constrói influência.

Defende os seus interesses.

Portanto, a pergunta africana não pode ser:

“Por que razão a China defende a China?”

A pergunta deve ser:

“Por que razão África não possui força suficiente para defender África?”

Essa é a questão.

ESTADOS UNIDOS

O mesmo vale para Washington.

Os Estados Unidos compreenderam novamente a importância estratégica dos minerais críticos e procuram reduzir vulnerabilidades associadas à dependência de cadeias controladas ou dominadas pela China.

Em 2025, a República Democrática do Congo e os Estados Unidos assinaram um acordo de parceria estratégica relacionado com minerais críticos, infraestrutura e governação.

Entre os mecanismos previstos está uma estrutura através da qual determinados ativos minerais estratégicos podem ser identificados e oportunidades associadas comunicadas dentro da parceria.

Isto demonstra uma coisa fundamental:

O Congo não é periférico.

O Congo está no centro de uma competição estratégica internacional.

Quando Washington olha para a RDC, não vê apenas um país africano.

Vê minerais críticos.

Vê cadeias de abastecimento.

Vê segurança económica.

Vê competição com a China.

Vê indústria.

Vê tecnologia.

Vê defesa.

Vê futuro.

E Pequim também olha estrategicamente.

Então volto a perguntar:

E NÓS?

Como olhamos para o Congo?

Como um país pobre?

Ou como um dos territórios mais estrategicamente importantes do planeta?

As palavras que utilizamos moldam a nossa própria consciência.

Se continuarmos a chamar “pobre” a um país que possui recursos disputados pelas maiores potências mundiais, talvez estejamos a confundir pobreza da população com pobreza do território.

São coisas diferentes.

Um país pode ser extremamente rico em recursos e ter uma população que não recebe proporcionalmente os benefícios dessa riqueza.

É precisamente essa contradição que precisamos explicar.

NÃO TROCAR WASHINGTON POR PEQUIM

Existe uma armadilha que África deve evitar.

Durante séculos, o continente sofreu diferentes formas de dominação estrangeira.

Colonização.

Exploração.

Dependência.

Interferência.

Relações económicas profundamente desiguais.

Mas a resposta africana não pode ser simplesmente mudar de parceiro dominante.

Não podemos pensar:

“O Ocidente explorou África, portanto qualquer potência não ocidental será automaticamente libertadora.”

Isso seria substituir análise por emoção.

Nenhuma potência deve receber um cheque em branco.

Nem Washington.

Nem Pequim.

Nem Moscovo.

Nem Paris.

Nem Londres.

Nem Bruxelas.

Nem qualquer outra.

A política externa africana deveria partir de uma pergunta simples:

O QUE ÁFRICA GANHA?

Não apenas hoje.

Daqui a vinte anos.

Que conhecimento fica?

Que indústria fica?

Que infraestrutura fica?

Que tecnologia fica?

Que empresas africanas crescem?

Quantos especialistas africanos são formados?

Quanto valor passa a ser produzido localmente?

Quanto aumenta a capacidade de decisão?

Se uma parceria responde positivamente a essas perguntas, pode ser útil.

Se não responde, deve ser renegociada.

É assim que Estados soberanos pensam.

ÁFRICA NÃO PRECISA DE DONOS

Por isso digo:

África não precisa de novos donos.

Não precisamos substituir uma dependência por outra.

Não precisamos trocar uma bandeira estrangeira por outra.

Não precisamos trocar uma capital estrangeira por outra.

Precisamos construir capacidade própria.

Isso não significa isolamento.

Pelo contrário.

Uma África forte poderia negociar com todos.

Com China.

Com Estados Unidos.

Com Europa.

Com Índia.

Com Brasil.

Com países árabes.

Com outras economias asiáticas.

Com quem quiser.

Mas negociar não é obedecer.

Cooperar não é entregar.

Receber investimento não é abdicar de estratégia.

Assinar contratos não significa abandonar soberania.

Uma África verdadeiramente soberana deveria ser capaz de dizer:

“Precisamos do vosso investimento, mas estas são as nossas condições.”

“Podem explorar, mas parte da transformação será feita aqui.”

“Podem investir, mas formarão trabalhadores e engenheiros locais.”

“Podem participar, mas haverá transferência de competências.”

“Podem lucrar, mas a população também terá de beneficiar.”

Isso é negociação entre parceiros.

A SOBERANIA COMEÇA NA ESCOLA

Existe ainda uma dimensão desta discussão que raramente recebe atenção suficiente.

Não existe soberania mineral sem educação.

Podemos nacionalizar uma mina amanhã.

E depois?

Quem a gere?

Quem conhece a geologia?

Quem conhece a química?

Quem constrói os equipamentos?

Quem mantém as máquinas?

Quem programa os sistemas?

Quem analisa as amostras?

Quem administra os laboratórios?

Quem negocia contratos internacionais?

Quem conhece os mercados?

Quem entende propriedade intelectual?

Quem domina engenharia financeira?

Quem desenvolve novas tecnologias?

Se a resposta continuar a ser “especialistas estrangeiros”, então mudámos a propriedade jurídica sem eliminar a dependência estrutural.

É por isso que uma política mineral africana precisa começar muito antes da mina.

Começa na escola primária.

Continua no ensino secundário.

Passa pelas universidades.

Chega aos centros de investigação.

Transforma-se em laboratórios.

Transforma-se em empresas.

Transforma-se em patentes.

Transforma-se em indústria.

Transforma-se em poder.

Uma bolsa de estudo para formar um engenheiro pode parecer pequena comparada com uma mina de milhares de milhões.

Mas sem engenheiros, a mina nunca será verdadeiramente nossa.

SOBERANIA ENERGÉTICA

O caso congolês também demonstra outra realidade:

Não existe industrialização sem energia.

Uma fábrica precisa de energia.

Uma refinaria precisa de energia.

Uma rede ferroviária precisa de energia.

Um laboratório precisa de energia.

Um centro de dados precisa de energia.

Uma indústria química precisa de energia.

Uma economia tecnológica precisa de energia.

Portanto, quando falamos de transformar recursos dentro de África, temos de falar simultaneamente de eletricidade.

Não podemos exigir industrialização sem construir a infraestrutura que torna essa industrialização possível.

E aqui os próprios recursos africanos deveriam financiar a transformação estrutural.

Parte das receitas minerais deveria alimentar estratégias de longo prazo para energia, educação, ciência, infraestrutura e industrialização.

Não apenas despesas imediatas.

Não apenas sobrevivência política.

Não apenas consumo.

INVESTIMENTO ESTRATÉGICO.

Porque os minerais acabam.

Uma jazida pode ser extraordinariamente rica, mas não é eterna.

O conhecimento, porém, pode multiplicar-se.

Uma mina esgota-se.

Uma universidade pode formar gerações.

Uma tonelada de cobalto é vendida uma vez.

Um engenheiro pode produzir conhecimento durante décadas.

Uma patente pode gerar valor durante anos.

Uma empresa tecnológica pode criar novas empresas.

É por isso que a riqueza subterrânea deveria financiar riqueza intelectual.

TRANSFORMAR MINERAIS EM CONHECIMENTO

Esta deveria ser uma das grandes missões africanas do século XXI:

TRANSFORMAR RECURSOS NATURAIS EM CAPITAL HUMANO.

Cobalto em universidades.

Cobre em infraestrutura.

Petróleo em investigação.

Gás em indústria.

Lítio em laboratórios.

Ouro em capital produtivo.

Diamantes em educação.

Não literalmente, mas economicamente.

Cada recurso extraído deveria deixar alguma capacidade permanente.

Se retiramos dez milhões do solo e depois de vinte anos nada permanece além de buracos, poluição e contas bancárias no estrangeiro, então falhámos.

Mas se retiramos dez milhões e parte dessa riqueza constrói energia, escolas técnicas, empresas, universidades, laboratórios e infraestrutura, então começámos a transformar riqueza natural em desenvolvimento.

Essa é a diferença.

QUEM ESTABELECE OS PREÇOS?

Existe outra dimensão do poder.

O preço.

Muitos países produtores de matérias-primas não controlam verdadeiramente os mecanismos globais através dos quais os seus produtos são valorizados.

Mercados internacionais.

Centros financeiros.

Contratos.

Intermediários.

Empresas comerciais.

Bolsas de mercadorias.

Instrumentos financeiros.

Tudo isso influencia o valor recebido.

Portanto, soberania não significa apenas extrair e transformar.

Também significa compreender mercados.

Possuir informação.

Coordenar produção.

Gerir reservas.

Desenvolver capacidade comercial.

A RDC demonstrou recentemente que possui algum poder de mercado.

Em 2025, perante excesso de oferta e preços baixos, suspendeu temporariamente exportações de cobalto e depois passou para um sistema de quotas.

A medida teve impacto sobre o mercado.

Isto demonstra que um produtor dominante não é necessariamente impotente.

Pode exercer influência.

Mas poder de mercado precisa ser convertido em estratégia de longo prazo.

Controlar volumes pode sustentar preços.

Mas controlar tecnologia cria uma vantagem ainda maior.

O VALOR FINAL

Imaginem duas economias.

A primeira extrai matéria-prima.

A segunda compra essa matéria-prima, transforma-a, fabrica componentes, desenvolve produtos, regista patentes, constrói marcas e vende tecnologia para o mundo inteiro.

Qual delas acumula mais poder?

É evidente.

A segunda.

Mesmo que o recurso original tenha saído da primeira.

É por isso que eu digo:

O MINERAL É APENAS O COMEÇO.

A mina é o primeiro capítulo.

Não pode ser o livro inteiro.

África precisa escrever os capítulos seguintes.

Transformação.

Refinação.

Engenharia.

Componentes.

Produção.

Investigação.

Design.

Propriedade intelectual.

Comercialização.

Tecnologia.

Financiamento.

PATENTES: A RIQUEZA INVISÍVEL

Existe uma riqueza que não se vê debaixo da terra.

Conhecimento.

Uma patente não pesa toneladas.

Não precisa de uma escavadora.

Não sai de uma mina.

Mas pode valer enormemente.

E esta é uma das razões pelas quais países sem grandes reservas minerais conseguem possuir enorme poder económico.

Eles transformaram conhecimento em riqueza.

Portanto, quando um país africano acredita que possuir o minério é suficiente, está a confundir recurso natural com poder económico.

O recurso oferece uma oportunidade.

A tecnologia decide quanto dessa oportunidade será capturada.

É por isso que precisamos de investigadores africanos.

Patentes africanas.

Empresas africanas.

Capital africano.

Centros de investigação africanos.

Redes universitárias africanas.

A FRAGMENTAÇÃO AFRICANA

Existe ainda um problema estrutural:

África negocia frequentemente fragmentada.

Mais de cinquenta Estados.

Economias de dimensões diferentes.

Sistemas jurídicos diferentes.

Moedas diferentes.

Interesses diferentes.

Governos diferentes.

Prioridades diferentes.

E potências externas com capacidade financeira, tecnológica e diplomática muito superior negociam com cada Estado separadamente.

Perguntem-se:

Quem possui maior poder de negociação?

Um pequeno país sozinho?

Ou um bloco continental?

É por isso que a integração africana não pode ser apenas um slogan.

Precisa tornar-se económica.

Industrial.

Científica.

Logística.

Energética.

Um país pode possuir cobalto.

Outro pode possuir lítio.

Outro gás.

Outro bauxite.

Outro grandes capacidades agrícolas.

Outro portos estratégicos.

Outro potencial hidroelétrico.

Outro capital humano especializado.

Separadamente, são ativos nacionais.

Coordenados, tornam-se poder continental.

PAN-AFRICANISMO ECONÓMICO

Para mim, o pan-africanismo do século XXI não pode limitar-se a bandeiras, discursos e símbolos.

Precisa entrar nas fábricas.

Nos laboratórios.

Nos bancos.

Nas universidades.

Nas redes elétricas.

Nos portos.

Nos caminhos-de-ferro.

Nos centros de dados.

Nas empresas tecnológicas.

Nas cadeias de abastecimento.

Precisamos de um pan-africanismo económico.

Um pan-africanismo científico.

Um pan-africanismo industrial.

Um pan-africanismo tecnológico.

Porque independência política sem capacidade económica permanece incompleta.

Não basta dizer:

“África unida.”

Precisamos perguntar:

Unida para fazer o quê?

Produzir o quê?

Transformar o quê?

Financiar o quê?

Investigar o quê?

Construir o quê?

A unidade precisa de conteúdo.

A BATALHA NÃO É APENAS PELA MINA

Esta é a verdadeira batalha geopolítica.

Não é apenas saber quem possui a concessão mineira.

É saber:

Quem possui a tecnologia?

Quem controla a transformação?

Quem estabelece os preços?

Quem domina a logística?

Quem financia os projetos?

Quem possui as patentes?

Quem controla os dados?

Quem realiza as análises?

Quem certifica os minerais?

Quem fabrica os equipamentos?

Quem forma os especialistas?

Quem possui as empresas?

Quem controla as rotas comerciais?

Quem possui capacidade de armazenamento?

Quem transforma o produto?

Quem comercializa?

E quem fica com a maior parte do valor final?

Enquanto África responder apenas:

“O mineral está aqui.”

Outros responderão:

“Mas a tecnologia está aqui.”

“Os bancos estão aqui.”

“As patentes estão aqui.”

“As fábricas estão aqui.”

“Os laboratórios estão aqui.”

“As marcas estão aqui.”

“O financiamento está aqui.”

E no final perceberemos que possuir o início da cadeia não significa controlar o resultado.

A GUERRA ECONÓMICA

Quando utilizo a expressão “guerra económica”, não estou a falar de armas.

Estou a falar da competição permanente por tecnologia, mercados, investimento, recursos, propriedade intelectual e influência.

Os Estados Unidos sabem disso.

A China sabe disso.

A Europa sabe disso.

As grandes multinacionais sabem disso.

África também precisa saber.

As decisões tomadas hoje sobre cobalto, cobre, lítio, urânio e outros minerais terão consequências durante décadas.

Quem controlar as tecnologias do futuro possuirá uma vantagem enorme.

E quem fornecer apenas matéria-prima continuará vulnerável às decisões tomadas fora do continente.

O PROBLEMA NÃO É NEGOCIAR COM ESTRANGEIROS

Quero insistir neste ponto porque é importante.

A solução não é expulsar todo investimento estrangeiro.

Isso não seria uma política séria.

A solução é melhorar a posição africana dentro das negociações.

Precisamos de contratos melhores.

Instituições melhores.

Fiscalização melhor.

Transparência melhor.

Formação melhor.

Planeamento melhor.

Estratégias industriais melhores.

Precisamos de saber exatamente aquilo que queremos obter antes de sentar à mesa.

Se um investidor chega com mil milhões, o Estado africano não deveria pensar apenas:

“Quanto dinheiro entra?”

Deveria perguntar:

Quantos empregos qualificados?

Quantos fornecedores locais?

Quantos engenheiros serão formados?

Que tecnologia será transferida?

Que infraestrutura ficará?

Que percentagem será transformada localmente?

Que participação terá o Estado?

Que proteção ambiental existirá?

Como serão fiscalizadas as operações?

Que capacidade terá o país quando o contrato terminar?

Isso é pensar como Estado.

A RESPONSABILIDADE HISTÓRICA

Os dirigentes africanos de hoje carregam uma responsabilidade enorme.

As decisões tomadas nesta geração podem determinar se África entra no futuro como fornecedora de matérias-primas ou como potência industrial.

Não estamos a falar apenas de economia.

Estamos a falar de história.

Os minerais críticos estão a tornar-se cada vez mais importantes.

A transição energética aumenta a procura por determinados materiais.

A competição tecnológica aumenta a importância de cadeias seguras.

A rivalidade entre grandes potências aumenta o valor estratégico de países produtores.

Isso cria riscos.

Mas também cria oportunidade.

Talvez África nunca tenha tido tanta capacidade potencial de negociação em determinadas cadeias.

A pergunta é:

VAMOS UTILIZÁ-LA?

NÃO PODEMOS VENDER O FUTURO PARA FINANCIAR O PRESENTE

Um governo enfrenta necessidades imediatas.

Salários.

Estradas.

Hospitais.

Orçamento.

Dívida.

Emprego.

É compreensível que procure receitas rapidamente.

Mas existe um perigo.

Vender recursos estratégicos em condições desfavoráveis para resolver problemas de curto prazo pode hipotecar oportunidades de longo prazo.

Um dirigente governa alguns anos.

Uma mina pode produzir durante décadas.

Um contrato pode influenciar gerações.

Portanto, a decisão não pertence moralmente apenas ao governo daquele momento.

Afeta o futuro.

É por isso que contratos estratégicos precisam de instituições fortes, transparência e visão nacional.

TRAIÇÃO POLÍTICA: O SENTIDO EM QUE UTILIZO A PALAVRA

Quando utilizo a palavra “traidor”, faço-o num sentido político.

Não jurídico.

Não estou a declarar ninguém culpado de um crime específico.

Estou a fazer um julgamento sobre responsabilidade política.

Para mim, quando um dirigente conhece a importância estratégica dos recursos do seu país e, conscientemente, coloca a sobrevivência do seu regime, os interesses de uma pequena elite ou os interesses de potências externas acima da construção de soberania para o seu povo, isso pode constituir uma traição política aos interesses desse povo.

É nesse sentido que utilizo a palavra.

Porque governar não deveria significar simplesmente ocupar o Estado.

Deveria significar proteger o futuro coletivo.

O POVO TEM DE VER A RIQUEZA

Existe um teste muito simples.

Quando um país exporta milhares de milhões em recursos durante décadas, o cidadão comum deveria conseguir olhar à sua volta e identificar aquilo que essa riqueza construiu.

Escolas.

Hospitais.

Universidades.

Transportes.

Água.

Energia.

Emprego.

Indústria.

Investigação.

Infraestrutura.

Segurança económica.

Se isso não acontece proporcionalmente, então existe uma desconexão entre riqueza nacional e bem-estar coletivo.

E essa desconexão precisa ser explicada.

Quem capturou o valor?

Onde foi investido?

Quanto ficou?

Quanto saiu?

Quem beneficiou?

Que capacidade foi construída?

São perguntas legítimas.

RECURSOS DEVEM SERVIR PESSOAS

No fim, toda esta discussão pode parecer extremamente técnica.

Cobalto.

Urânio.

Hidróxido.

Refinação.

Cadeias de abastecimento.

Geopolítica.

Patentes.

Mas existe uma realidade humana por detrás de tudo isso.

Recursos existem em territórios onde vivem pessoas.

A riqueza nacional deveria melhorar vidas.

Uma criança africana deveria poder olhar para a riqueza do seu país e ver oportunidades.

Não apenas camiões carregados de minério a passar.

Deveria ver universidades.

Deveria ver laboratórios.

Deveria ver empregos qualificados.

Deveria ver empresas africanas.

Deveria ver cientistas africanos.

Deveria ver engenheiros africanos.

Deveria poder imaginar-se como uma dessas pessoas.

Essa é a verdadeira medida do desenvolvimento.

O CONGO COMO AVISO E COMO POSSIBILIDADE

Eu não vejo o Congo apenas como vítima.

Também o vejo como possibilidade.

Um país que possui tamanha importância mineral possui potencial de negociação.

Mas esse potencial precisa ser organizado.

Instituições fortes.

Estado capaz.

Energia.

Educação.

Ciência.

Infraestrutura.

Integração regional.

Estratégia industrial.

Transparência.

Planeamento.

O Congo pode ser um símbolo da contradição africana.

Mas também pode tornar-se um símbolo de transformação africana.

A história ainda não terminou.

A ÁFRICA QUE EU QUERO VER

Eu quero ver uma África que não peça desculpa por defender os seus interesses.

Uma África que negocie com China e Estados Unidos sem pertencer a nenhum deles.

Uma África que coopere com Europa sem voltar à dependência colonial.

Uma África que possa trabalhar com qualquer potência sem entregar a sua soberania.

Uma África que conheça o valor dos seus recursos antes de os vender.

Uma África que forme os seus próprios especialistas.

Uma África que financie os seus próprios projetos.

Uma África que transforme uma parte crescente das suas matérias-primas.

Uma África que desenvolva tecnologia.

Uma África que proteja o ambiente.

Uma África que consiga responsabilizar os seus próprios dirigentes.

Uma África que não confunda nacionalismo com incompetência.

Uma África que não confunda investimento estrangeiro com submissão.

Uma África que não confunda slogans com soberania.

SOBERANIA É CAPACIDADE

Esta talvez seja a ideia mais importante de todo este texto.

SOBERANIA É CAPACIDADE.

Capacidade de alimentar a população.

Capacidade de produzir energia.

Capacidade de educar.

Capacidade de investigar.

Capacidade de transformar.

Capacidade de financiar.

Capacidade de negociar.

Capacidade de fiscalizar.

Capacidade de defender juridicamente os interesses nacionais.

Capacidade de dizer sim quando uma parceria interessa.

E capacidade de dizer não quando não interessa.

Um Estado que possui recursos mas não possui capacidade continua vulnerável.

Por isso, a libertação económica africana não acontecerá apenas recuperando minas.

Acontecerá construindo capacidade.

NÃO É CHINA CONTRA ÁFRICA

Também não quero reduzir esta discussão a uma oposição simplista entre China e África.

Isso seria repetir exatamente o erro que critico.

Existem interesses chineses.

Existem interesses americanos.

Existem interesses europeus.

Existem interesses africanos.

E dentro de África existem interesses diferentes.

A geopolítica não é uma história infantil de bons e maus.

É uma competição de interesses.

O problema começa quando nós entramos nessa competição sem estratégia própria.

Se África possuir estratégia, pode negociar com todos.

Se não possuir estratégia, será objeto da estratégia dos outros.

Essa é a diferença.

O MESMO VALE PARA WASHINGTON

Não devemos correr para Washington apenas porque temos medo de Pequim.

Nem correr para Pequim apenas porque desconfiamos de Washington.

Isso não é independência.

Isso é escolher dependência.

A verdadeira independência é possuir opções.

Quando dependemos exclusivamente de um parceiro, esse parceiro ganha poder sobre nós.

Quando possuímos conhecimento, capacidade industrial, mercados alternativos e vários parceiros, aumenta a nossa margem de decisão.

Portanto:

Nem anti-China por reflexo.

Nem anti-América por reflexo.

PRÓ-ÁFRICA.

Essa deveria ser a posição.

QUEM DEFENDE ÁFRICA?

A China defende os interesses chineses.

Os Estados Unidos defendem os interesses americanos.

Os europeus defendem os seus interesses.

Isso não deveria surpreender ninguém.

A pergunta que me interessa continua a mesma:

QUEM ESTÁ A DEFENDER OS INTERESSES AFRICANOS?

Essa pergunta deve ser feita em Kinshasa.

Em Kigali.

Em Abuja.

Em Pretória.

Em Nairobi.

Em Dakar.

Em Accra.

Em Addis Abeba.

Em Luanda.

Em Maputo.

Em todas as capitais africanas.

E deve ser feita não apenas aos presidentes.

Também aos parlamentos.

Aos empresários.

Às universidades.

À sociedade civil.

À juventude.

À diáspora.

A todos nós.

Porque soberania não é apenas responsabilidade do dirigente.

É também uma cultura política.

PRECISAMOS CONHECER AQUILO QUE POSSUÍMOS

Um povo que desconhece o valor dos seus recursos está em desvantagem.

Precisamos ensinar economia africana.

Geografia económica africana.

História africana.

Ciência africana.

Precisamos conhecer os nossos rios.

Os nossos minerais.

As nossas capacidades agrícolas.

As nossas rotas.

Os nossos mercados.

As nossas necessidades.

Não para criar arrogância.

Mas para criar consciência estratégica.

Uma criança africana deveria aprender não apenas onde fica determinado rio europeu.

Deveria também compreender por que razão o Copperbelt é estratégico para a economia mundial.

Deveria compreender o valor do Congo.

Do Sahel.

Do Golfo da Guiné.

Da África Austral.

Do Corno de África.

Do Atlântico.

Do Índico.

Conhecimento também é soberania.

DEBAIXO DOS NOSSOS PÉS

Existe uma imagem que resume toda esta contradição.

Um povo sentado sobre uma riqueza extraordinária, mas obrigado a comprar de volta, sob forma de produtos sofisticados, parte do valor criado a partir dos recursos que saíram do seu próprio território.

É isso que precisamos mudar.

Não amanhã.

Agora.

Porque a próxima revolução industrial já está em andamento.

E os minerais africanos fazem parte dela.

A questão é saber se África participará apenas como fornecedora ou também como criadora.

O FUTURO NÃO PODE SER EXPORTADO EM ESTADO BRUTO

Cada carregamento que sai sem transformação suficiente representa também valor que poderia, em determinadas condições, ser criado localmente.

Não significa que tudo deva obrigatoriamente ser produzido dentro de cada país.

Isso também seria economicamente irrealista.

Mas significa que África precisa capturar uma parcela muito maior da cadeia.

Talvez um país faça a refinação.

Outro produza componentes.

Outro possua centros de investigação.

Outro forneça energia.

Outro desenvolva logística.

É aí que a integração continental ganha sentido.

Não precisamos que cada Estado faça tudo.

Precisamos que África, coletivamente, faça muito mais.

UMA NOVA DIVISÃO DO TRABALHO AFRICANO

Imaginem cadeias industriais continentais.

Minerais extraídos num país.

Refinados noutro.

Transformados em componentes num terceiro.

Integrados num produto num quarto.

Financiados por instituições africanas.

Transportados através de corredores africanos.

Investigados por universidades africanas.

Com patentes africanas.

Isso seria integração real.

Isso seria pan-africanismo material.

Não apenas discurso.

Poder.

A LIÇÃO DO URÂNIO

Voltemos ao ponto de partida.

O estudo de 2026 sobre urânio associado às exportações congolesas de hidróxido de cobalto não deve ser utilizado para inventar histórias que os investigadores não demonstraram.

Não sabemos, apenas a partir daquele estudo, o destino final de cada quantidade estimada.

Não devemos transformar estimativa em medição direta.

Não devemos inventar utilização militar.

Não precisamos disso.

A realidade documentada e estimada já é suficientemente séria.

Entre 2.000 e 5.000 toneladas de urânio natural poderão ter sido exportadas incorporadas em carregamentos de hidróxido de cobalto entre 2000 e 2024.

Cerca de 65% terão sido enviados para empresas de propriedade chinesa, segundo a estimativa do estudo.

Menos de 10% do material estimado terá sido publicamente declarado e colocado sob salvaguardas internacionais.

E entre 1.000 e 4.000 toneladas adicionais poderão ter terminado em rejeitos.

Não precisamos acrescentar ficção.

Precisamos compreender aquilo que esses números revelam sobre fiscalização, capacidade industrial e controlo da cadeia.

O PROBLEMA É ESTRUTURAL

É por isso que a minha crítica não é somente contra Washington.

Não é somente contra Pequim.

Não é somente contra Kagame.

Não é somente contra Kinshasa.

É contra um sistema no qual África continua demasiadas vezes posicionada no início da cadeia de valor enquanto outros ocupam os segmentos onde conhecimento, tecnologia, financiamento e margens superiores se acumulam.

E é também contra dirigentes africanos que aceitam perpetuar esse sistema quando possuem possibilidade política de lutar por condições melhores.

Podem chamar-lhe diplomacia.

Podem chamar-lhe parceria.

Podem chamar-lhe investimento estrangeiro.

Essas palavras não são necessariamente negativas.

Mas eu quero ver os resultados.

Depois de dez anos:

O que aprendemos?

Depois de vinte anos:

O que construímos?

Depois de trinta anos:

De que continuamos dependentes?

Essas são as perguntas.

NÃO QUERO UMA ÁFRICA ISOLADA

Quero deixar isto absolutamente claro.

Eu não defendo uma África fechada ao mundo.

Defendo exatamente o contrário.

Quero uma África suficientemente forte para estar aberta sem ser dominada.

Suficientemente confiante para negociar.

Suficientemente preparada para competir.

Suficientemente integrada para escolher.

Suficientemente instruída para compreender aquilo que assina.

Suficientemente industrializada para transformar.

Suficientemente soberana para recusar.

Isso é muito diferente de isolamento.

O OBJETIVO

O objetivo não pode ser escolher entre Washington e Pequim.

O objetivo não pode ser perguntar:

“Quem será o nosso próximo protetor?”

África não precisa de protetor.

Precisa de parceiros.

E existe uma enorme diferença.

Um protetor decide por ti.

Um parceiro negocia contigo.

Um protetor cria dependência.

Um parceiro reconhece capacidade.

Um protetor espera obediência.

Um parceiro aceita negociação.

É essa relação que África precisa construir.

“VOCÊS PODEM NEGOCIAR CONNOSCO”

Eu quero uma África suficientemente forte para olhar para Washington e Pequim e dizer:

“Vocês podem negociar connosco.

Podem investir connosco.

Podem construir connosco.

Podem comprar de nós.

Podem vender-nos tecnologia.

Podem desenvolver projetos connosco.

Mas já não decidem por nós.”

Essa frase resume aquilo que considero soberania.

Não rejeitar o mundo.

Entrar no mundo de pé.

O DIA EM QUE ÁFRICA CONTROLAR MAIS DO QUE O SOLO

Porque o dia em que o africano controlar não apenas aquilo que existe debaixo dos seus pés, mas também a ciência necessária para compreender esse recurso;

a engenharia necessária para transformá-lo;

a energia necessária para industrializá-lo;

o financiamento necessário para investir;

a tecnologia necessária para multiplicar o seu valor;

a logística necessária para transportá-lo;

as instituições necessárias para fiscalizá-lo;

e a decisão política necessária para defender o interesse coletivo;

nesse dia estaremos perante uma realidade completamente diferente.

Nesse dia, possuir recursos significará muito mais do que possuir uma mina.

Significará possuir capacidade.

A VERDADEIRA RIQUEZA

Talvez a maior riqueza africana nem sequer esteja debaixo da terra.

Está nas pessoas.

Porque minerais sem conhecimento podem ser levados.

Conhecimento fica.

Minas podem esgotar-se.

Conhecimento pode criar novas riquezas.

Petróleo acaba.

Ouro acaba.

Cobalto acaba.

Uma jazida acaba.

Mas um povo educado pode continuar a criar.

É por isso que a batalha pela riqueza africana é também uma batalha pela mente africana.

Educação.

Consciência.

Ciência.

Competência.

Disciplina.

Instituições.

Visão.

NÃO ME DIGAM QUE ÁFRICA É POBRE

Por isso volto ao início.

Não me venham dizer que África é pobre.

Digam-me que existem países africanos onde milhões de pessoas vivem na pobreza.

Isso é verdade.

Digam-me que existem Estados africanos com instituições frágeis.

Isso pode ser verdade.

Digam-me que existem economias dependentes da exportação de matérias-primas.

Isso é verdade em vários casos.

Digam-me que existem enormes desigualdades.

Digam-me que existe corrupção.

Digam-me que existe má governação.

Digam-me que existe interferência externa.

Digam-me que existem estruturas económicas herdadas do colonialismo.

Podemos discutir tudo isso.

Mas não confundam pobreza das populações com ausência de riqueza.

Porque muitas vezes a tragédia africana está precisamente no contraste entre as duas.

RIQUEZA EXTRAORDINÁRIA.

POUCO CONTROLO SOBRE O VALOR FINAL.

É isso que precisamos mudar.

A NOSSA GERAÇÃO

A nossa geração possui uma responsabilidade.

Não basta denunciar aquilo que aconteceu no passado.

Colonialismo existiu.

Exploração existiu.

Interferência existiu.

E os seus efeitos não desapareceram simplesmente com as independências.

Mas nós vivemos agora.

E precisamos perguntar:

O QUE VAMOS FAZER COM AQUILO QUE TEMOS?

Daqui a cinquenta anos, os nossos descendentes também poderão olhar para nós.

E perguntar:

“Vocês sabiam que África possuía esses recursos?”

Sim.

“Vocês sabiam que o mundo precisava deles?”

Sim.

“Vocês sabiam que tecnologia e conhecimento eram fundamentais?”

Sim.

“Então o que fizeram?”

Essa é a pergunta histórica.

NÃO BASTA ACUSAR

Precisamos construir.

Não basta acusar China.

Construam capacidade africana.

Não basta acusar Estados Unidos.

Construam financiamento africano.

Não basta acusar multinacionais.

Construam empresas africanas.

Não basta acusar dirigentes.

Construam instituições capazes de controlá-los.

Não basta falar de ciência.

Financiem cientistas.

Não basta falar de juventude.

Formem a juventude.

Não basta falar de unidade africana.

Construam cadeias económicas africanas.

Não basta gritar “soberania”.

CRIEM CAPACIDADE PARA EXERCÊ-LA.

A MINHA POSIÇÃO

Esta é a minha posição.

Eu não quero uma África anti-China.

Eu não quero uma África anti-América.

Eu não quero uma África dependente da Europa.

Eu não quero uma África subordinada a nenhuma potência.

Eu quero uma África pró-África.

Capaz de negociar com todos.

Subordinada a ninguém.

Uma África que compreenda que amizade entre Estados não substitui interesses.

Uma África que saiba que contratos devem servir gerações, não apenas governos.

Uma África que compreenda que a verdadeira independência começa quando possuímos alternativas.

A RIQUEZA TEM DE SERVIR O POVO

No final, tudo regressa a esta frase.

A riqueza tem de servir o povo.

Se um recurso vale milhares de milhões mas a população não possui água, energia, escolas, hospitais, formação e oportunidades proporcionais, então existe um problema político.

Se o país exporta matéria-prima estratégica mas importa quase toda a tecnologia necessária para transformá-la, existe um problema estrutural.

Se os jovens vivem sobre minerais fundamentais para o futuro tecnológico do planeta mas não têm acesso à formação necessária para participar nas indústrias construídas com esses minerais, existe uma contradição.

É essa contradição que precisamos destruir.

ÁFRICA PRECISA SER DONA DE SI PRÓPRIA

Não dona no sentido de fechar as fronteiras.

Dona no sentido de decidir.

Dona no sentido de conhecer.

Dona no sentido de negociar.

Dona no sentido de transformar.

Dona no sentido de escolher.

Dona no sentido de beneficiar.

Dona no sentido de construir.

Porque possuir território sem controlar o futuro económico desse território é uma soberania incompleta.

A ÚLTIMA PERGUNTA

Quando o próximo carregamento de cobalto sair do Congo, não perguntem apenas:

“Quanto vale?”

Perguntem:

Quanto desse valor ficou em África?

Quantos trabalhadores africanos foram formados?

Quantos engenheiros?

Quantos laboratórios?

Quantas empresas?

Quantas tecnologias?

Quantas infraestruturas?

Quanto conhecimento?

Quanto poder de negociação?

Quanto futuro?

Essa é a contabilidade que realmente me interessa.

CONCLUSÃO

África possui recursos que o mundo inteiro procura.

Isso não é uma teoria.

É uma realidade económica.

A RDC ocupa uma posição central na produção mundial de cobalto.

As grandes potências estão interessadas em minerais críticos porque sabem que recursos, tecnologia, indústria e segurança estratégica estão ligados.

A China construiu uma posição poderosa em segmentos importantes dessas cadeias.

Os Estados Unidos procuram reduzir vulnerabilidades e reforçar o seu próprio acesso e as suas cadeias.

Cada potência joga o seu jogo.

Chegou a hora de África jogar o seu.

Não contra o mundo.

A FAVOR DE SI PRÓPRIA.

Não precisamos de pedir que China deixe de ser China.

Não precisamos pedir que América deixe de defender América.

Precisamos exigir que dirigentes africanos defendam África.

Precisamos construir instituições capazes de transformar essa exigência em realidade.

Precisamos de ciência.

Precisamos de tecnologia.

Precisamos de energia.

Precisamos de indústria.

Precisamos de capital.

Precisamos de integração.

Precisamos de conhecimento.

Precisamos de visão política.

Porque uma mina sem indústria é uma oportunidade incompleta.

Um recurso sem conhecimento é poder potencial nas mãos de quem souber transformá-lo.

E um continente que possui riquezas estratégicas mas não controla suficientemente a cadeia de valor continuará a ver outros acumularem poder a partir daquilo que nasceu debaixo do seu próprio solo.

É isso que tem de mudar.

Não quero que os nossos filhos herdem apenas minas.

Quero que herdem universidades.

Não quero que herdem apenas petróleo.

Quero que herdem indústria.

Não quero que herdem apenas cobalto.

Quero que herdem tecnologia.

Não quero que herdem apenas ouro.

Quero que herdem capital e instituições.

Não quero que herdem apenas histórias sobre aquilo que África possuía.

Quero que herdem o poder de decidir aquilo que África fará com aquilo que possui.

Porque independência sem capacidade continua incompleta.

Porque riqueza sem controlo continua vulnerável.

Porque recursos sem transformação constroem demasiadas vezes o poder dos outros antes de construírem o nosso.

África não precisa de novos donos.

África não precisa escolher entre um dono ocidental e um dono oriental.

África precisa de parceiros.

África precisa de estratégia.

África precisa de conhecimento.

África precisa de capacidade.

África precisa de soberania.

ÁFRICA PRECISA SER DONA DE SI PRÓPRIA.

O objetivo não é fechar a porta a Washington.

O objetivo não é fechar a porta a Pequim.

O objetivo é sermos nós a possuir a chave da porta.

E quando chegarmos a esse ponto, poderemos dizer a qualquer potência do mundo:

“Vocês podem negociar connosco.

Podem investir connosco.

Podem cooperar connosco.

Mas já não decidem por nós.”

Porque o futuro africano não pode continuar a ser decidido exclusivamente nos lugares onde os recursos africanos são transformados.

Tem de ser decidido também onde esses recursos nascem.

Em África.

Por africanos.

Para construir poder africano.

O SOLO É AFRICANO.

O MINERAL É AFRICANO.

A RIQUEZA TEM DE SERVIR O POVO AFRICANO.

A CIÊNCIA TEM DE SERVIR A SOBERANIA AFRICANA.

A TECNOLOGIA TEM DE FAZER PARTE DO FUTURO AFRICANO.

A TRANSFORMAÇÃO TEM DE CRIAR VALOR EM ÁFRICA.

E O FUTURO DE ÁFRICA TEM DE SER DECIDIDO POR ÁFRICA.

SABIDO KATA INCHINADU BRABU